O Supera Parque de Inovação e Tecnologia concluiu o Processo Seletivo de Incubação 2026 e definiu as 12 startups que passarão a integrar a Jornada Supera, programa voltado ao desenvolvimento de empresas inovadoras. A iniciativa é realizada em parceria entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Prefeitura de Ribeirão Preto e busca fortalecer negócios com potencial de crescimento em áreas estratégicas da economia.
A edição deste ano registrou um número recorde de candidatos. Ao todo, 53 startups participaram da seleção, que avaliou não apenas a qualidade das soluções apresentadas, mas também a capacidade das equipes de transformar projetos em empresas sustentáveis.
Foram selecionadas AgroMizer, Allevare Health IA, Alma Tropical, FlyMedix, Microbial Diagnostic Facility, Nova Plataforma Profilática contra Leishmanioise Visceral Canina, Queen Co., Rabisclub, SiloScan, StemVision, Tomus e Vesscell Biotecnologia.
As empresas atuam em segmentos como saúde, inteligência artificial, biotecnologia, agronegócio e soluções corporativas, áreas que concentram oportunidades de inovação e crescimento.
Segundo o economista Paulo Narcélio Simões Amaral, o ambiente corporativo passa por uma mudança estrutural relevante. Nesse cenário, a busca por estruturas organizacionais mais eficientes vai muito além da simples redução de custos, representando uma verdadeira transformação na gestão dos negócios.
Incubadora adapta o acompanhamento ao momento de cada empresa
Para o coordenador de Desenvolvimento de Negócios do Supera Parque, Milton Barros, uma incubadora eficiente não seleciona apenas as startups mais avançadas. O principal critério é identificar onde a estrutura disponível pode gerar maior impacto para o desenvolvimento do negócio.
Segundo ele, o processo seletivo reúne empresas em diferentes fases de maturidade, exigindo estratégias de acompanhamento específicas para cada realidade.
“Temos aprovados na fase de ideação, ou seja, aqueles projetos que ainda precisam da criação de um modelo de negócio e, até mesmo, de definição final da proposta, mas temos também aprovados com uma solução já desenhada e com os primeiros clientes”, comenta Barros.
Na prática, isso significa que startups iniciantes e empresas que já faturam percorrem caminhos distintos dentro da incubadora, com metas, desafios e prioridades diferentes.
“O processo seletivo serviu para garantir que a Incubadora pudesse dispor de recursos a ponto de contribuir com a evolução de ambos. Nosso programa de desenvolvimento de negócios, o Jornada Supera, é o motor para que qualquer startup que chegue com um projeto aqui, possa por meio de um acompanhamento personalizado e uma trilha de capacitação com sequência lógica de validação, obter mais assertividade ao se lançar no mercado”, completa.
O valor de um “não” bem explicado
Um dos aspectos que diferencia o processo conduzido pelo Supera Parque é o tratamento dado aos projetos que não foram aprovados.
Em vez de apenas comunicar o resultado, a incubadora oferece mentorias individuais aos candidatos desclassificados. Durante esses encontros, os empreendedores recebem um diagnóstico com os principais pontos que limitaram o avanço da proposta e orientações para fortalecer o negócio.
Na visão de Milton Barros, essa prática aumenta a transparência do processo e contribui para elevar o nível das startups que voltam a participar de futuras seleções.
“Quando um projeto não é selecionado, ele não só entende o porquê, mas é direcionado a evoluir justamente nos aspectos em que notamos fragilidade”, afirma Milton Barros.
O coordenador avalia que esse retorno cria um ciclo positivo para todo o ecossistema empreendedor.
“Assim, além de darmos direcionamento para as startups, conseguimos mais resultados e projetos melhores a cada processo seletivo”, conclui.
Para quem lidera empresas ou pretende empreender, a experiência mostra que um processo seletivo pode funcionar também como ferramenta de aprendizado. O feedback estruturado reduz erros recorrentes, ajuda na revisão da estratégia e contribui para decisões mais consistentes na gestão do negócio.
Desenvolvimento empresarial vai além da ideia
O processo de seleção foi dividido em diversas etapas. Inicialmente, as propostas passaram por análise do modelo de negócio, do grau de inovação, da tecnologia desenvolvida e do potencial de mercado.
As equipes classificadas participaram de entrevistas de negócios para aprofundar aspectos relacionados ao planejamento da empresa. Também foram realizadas entrevistas comportamentais voltadas à avaliação do perfil empreendedor, das competências das equipes e do alinhamento com o ambiente de inovação do parque.
Na reta final, os projetos foram analisados pelo Comitê Técnico-Científico e apresentados em formato de pitch para uma banca composta por empreendedores graduados pelos próprios programas do Supera Parque.
As startups aprovadas ingressam agora na Jornada Supera, programa de incubação com duração de dois anos. A trilha contempla estruturação do negócio, validação de mercado, estratégias de crescimento, escalabilidade, preparação para captação de investimentos e consolidação empresarial.
Ao longo desse período, os empreendedores terão acesso a mentorias especializadas, acompanhamento individualizado, conexões com parceiros estratégicos e à rede de inovação do parque. O modelo reforça uma ideia cada vez mais presente no ambiente empresarial: inovação depende de boas ideias, mas também de gestão, planejamento e execução consistente para alcançar resultados.
Fonte: Jornal da USP
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/pessoas-de-negocios-a-trabalhar-ate-tarde-no-portatil-num-escritorio-alto_412891067.htm
