Manter uma pequena ou média empresa competitiva no Brasil exige mais do que esforço operacional. Pressões de caixa, dificuldade de acesso a crédito, processos manuais e custos fixos elevados compõem um cenário que desafia a sustentabilidade no longo prazo. Dados de levantamento do Instituto Locomotiva, encomendado pelo Itaú Empresas, indicam que 90% dos líderes de PMEs afirmam enfrentar alguma ou muita dificuldade relacionada ao ambiente macroeconômico e competitivo, crescimento, inovação e gestão financeira.
Diante desse quadro, empreendedores têm buscado alternativas capazes de equilibrar eficiência e controle de custos. Soluções que envolvem financiamento direcionado, digitalização de processos, oferta de benefícios acessíveis e integração operacional aparecem como caminhos recorrentes. Empresas como Vixtra, D4Sign by Zucchetti, Dr.consulta e Olist estruturaram propostas voltadas a esse público.
Crédito estruturado para importadores melhora previsibilidade
Entre os segmentos menos debatidos quando se fala em apoio às PMEs estão os pequenos importadores. Essas empresas desempenham papel relevante na cadeia de abastecimento e na diversificação do varejo, mas enfrentam barreiras específicas. Acesso restrito a crédito, custos financeiros elevados e baixa previsibilidade de caixa comprometem a capacidade de planejamento.
A Vixtra desenvolveu um modelo de financiamento voltado à importação que utiliza a própria carga em trânsito como garantia. A estrutura reduz a necessidade de ativos fixos e de garantias tradicionais, acelerando a liberação de capital. Segundo dados operacionais da empresa, clientes de diferentes setores que adotaram a solução dobraram o volume de itens importados em quatro anos.
Para Leonardo Baltieri, fundador da Vixtra e co-CEO, o ambiente ainda impõe obstáculos significativos. “Pequenas e médias empresas ficam travadas por falta de crédito adequado e previsibilidade de caixa para importar”, afirma. Especialistas do setor avaliam que mecanismos mais alinhados à dinâmica do comércio exterior tendem a impactar diretamente a competitividade dessas empresas, tanto nas vendas internacionais quanto no mercado doméstico.
Digitalização reduz retrabalho e acelera contratos
Além do crédito, a organização interna influencia a sustentabilidade financeira. Estudo da McKinsey & Company aponta que a digitalização pode reduzir em até 90% o tempo gasto em tarefas repetitivas. Para PMEs, esse ganho se traduz em redução de custos administrativos e maior foco em atividades estratégicas.
A D4Sign by Zucchetti atua na digitalização de assinaturas e na gestão eletrônica de contratos. A plataforma integra recursos de automação e inteligência artificial para acelerar fluxos de aprovação e organizar documentos. O objetivo é diminuir retrabalho, reforçar a validade jurídica e tornar as equipes mais produtivas.
Rafael Figueiredo, fundador e CEO da empresa, defende que a tecnologia amplia a capacidade analítica das PMEs. “Isso reduz o tempo de assinatura de contratos, acelera negociações e permite que os empreendedores foquem no crescimento do negócio, gerando resultados mais consistentes para os parceiros”, comenta. A centralização de dados contratuais também facilita auditorias internas e planejamento financeiro.
Benefícios de saúde ampliam acesso e reduzem custos
A oferta de benefícios corporativos sempre foi associada a grandes companhias. No entanto, modelos mais enxutos têm ampliado o acesso para pequenas empresas. O Dr.consulta estruturou cartões corporativos que permitem consultas, exames e acompanhamento médico com custos reduzidos em comparação ao modelo particular tradicional.
Segundo Gabriela Zaninetti, CGMO da empresa, a redução da barreira financeira altera o comportamento dos usuários. “Os dados mostram que, quando a barreira do custo é reduzida, o cuidado aumenta de forma significativa. Vimos as consultas crescerem 85% e os exames, 135%, refletindo não apenas mais acesso, mas diagnósticos mais precoces e maior adesão aos tratamentos”, afirma.
A companhia informa que a contratação do cartão pode gerar economia de até 90% para as empresas, chegando a 88% no modelo aplicado pelo Dr.consulta. A versão empresarial pode ser até 50% mais barata que o cartão individual. Pequenos negócios representam 93,6% das empresas ativas no país, o que amplia o alcance potencial desse tipo de benefício.
“Dar acesso à saúde é permitir que as empresas cuidem de seus times com previsibilidade e economia, enquanto os colaboradores recebem atendimento de qualidade sem comprometer o orçamento”, completa Zaninetti.
Integração operacional e automação elevam competitividade
Crescer mantendo controle exige integração entre vendas, finanças, logística e emissão fiscal. A fragmentação de sistemas costuma gerar retrabalho, erros e perda de visibilidade. Para PMEs em expansão, esse cenário aumenta riscos e reduz margem.
A Olist estruturou um ecossistema que centraliza múltiplas frentes em uma única operação. A proposta inclui gestão de vendas em diversos canais, controle financeiro, logística, pagamentos e acesso a crédito. A unificação permite ao empreendedor acompanhar indicadores em tempo real e ajustar estratégias com base em dados consolidados.
Felippe Galeb, CPO da empresa, afirma que a competitividade depende da integração tecnológica. “Toda PME, independentemente do setor, enfrenta desafios básicos para operar: vender, controlar finanças, organizar pedidos, emitir notas, cuidar da logística e manter a empresa funcionando. Hoje, sistemas que automatizam essas dores e geram insights são fundamentais para qualquer nível de competitividade.”, diz,
“O problema é que muitas empresas resolvem essas demandas de forma isolada, com ferramentas que não se conectam. Quando a operação começa a escalar, isso gera retrabalho, mais custos, erros e perda de visibilidade do negócio”.
Para o executivo, o avanço está na consolidação de dados e no uso de automação como instrumento de eficiência. “A automação e a inteligência artificial transformam esses dados em decisões mais assertivas, elevando a eficiência operacional e criando bases sólidas para a sustentabilidade no longo prazo”, completa Galeb.
No conjunto, crédito adequado, digitalização, benefícios acessíveis e integração operacional formam um eixo comum. Para as PMEs brasileiras, sustentabilidade deixou de ser conceito abstrato e passou a significar gestão estruturada, previsibilidade e capacidade de adaptação em um ambiente competitivo.
Fonte: CNN Brasil
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