A Natura anunciou uma mudança histórica em sua estrutura de governança ao retirar seus fundadores do Conselho de Administração e criar um novo órgão destinado à preservação da cultura corporativa. A reformulação faz parte de um conjunto de medidas que inclui a renovação do conselho, a assinatura de um novo acordo de acionistas e a possibilidade de entrada de um investidor internacional no capital da companhia.
As alterações foram comunicadas ao mercado como um passo importante na construção de um novo ciclo para a empresa, que nos últimos anos passou por um processo de reorganização societária e simplificação de sua estrutura corporativa.
Com a mudança, Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos deixarão seus assentos no Conselho de Administração. O mesmo ocorrerá com Fabio Barbosa, atual presidente do colegiado.
Embora deixem o principal órgão de decisão estratégica da empresa, os quatro continuarão ligados à governança da Natura por meio de um novo Conselho Consultivo estatutário.
A proposta é que o grupo atue como referência institucional para a companhia, acompanhando sua evolução e contribuindo para a manutenção dos princípios que ajudaram a construir a marca.
Segundo a empresa, o conselho consultivo não terá funções executivas nem poder deliberativo. Seu papel será exclusivamente orientador.
Em comunicado, a Natura afirmou que a nova estrutura funcionará como “guardião da cultura, dos valores e do legado que definem a essência da companhia”.
A criação do órgão representa uma separação formal entre o legado dos fundadores e a condução dos negócios, movimento adotado por empresas que buscam profissionalizar ainda mais seus processos de governança sem romper com sua identidade histórica.
Conforme fontes próximas ao assunto, uma das alternativas avaliadas envolveria a alienação da companhia de forma fracionada, modalidade que já atrai o interesse de investidores. Dentre os potenciais compradores está o empresário Ricardo Knoepfelmacher (conhecido como Ricardo K), da RK Partners, que analisa a possibilidade de adquirir o controle total (100%) da Oi.
Conselho será renovado para novo mandato
Ao mesmo tempo em que os fundadores migram para o conselho consultivo, a Natura promove uma reformulação completa do Conselho de Administração.
A companhia indicou Alessandro Carlucci para assumir a presidência do colegiado. O executivo já integrava o órgão na condição de conselheiro independente.
A composição proposta reúne nomes que já participam da gestão da empresa e profissionais que passarão a integrar a estrutura de governança.
Entre eles estão Duda Kertesz, João Paulo Ferreira, atual CEO da Natura, e o próprio Alessandro Carlucci.
Também foram indicados Pedro Villares, Guilherme Passos, Luiz Guerra, Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto.
As mudanças incluem ainda a saída de Bruno Rocha e Gilberto Mifano. Apesar de deixar o Conselho de Administração, Mifano permanecerá na presidência do comitê de auditoria e finanças.
De acordo com a companhia, a nova configuração foi desenhada para tornar mais clara a divisão de responsabilidades dentro da governança, concentrando no conselho a supervisão estratégica dos negócios.
Acionistas renovam compromisso com a empresa
A reformulação também envolve um novo acordo firmado pelos principais acionistas da Natura.
O documento terá vigência inicial de dez anos e poderá ser renovado por mais uma década. Ele substituirá o acordo atual, cujo vencimento está previsto para março de 2026.
Participam do compromisso os grupos que representam os fundadores e outros investidores históricos da companhia.
Fazem parte do acordo o Bloco Seabra, representado por Antonio Luiz da Cunha Seabra; o Bloco Leal, representado por Guilherme Peirão Leal; o Bloco Passos, representado por Pedro Luiz Barreiros Passos; além do Bloco Pinotti, representado por Vinicius Pinotti, e do Bloco Mattos, representado por Maria Heli Dalla Colletta de Mattos.
Segundo a Natura, a assinatura do novo documento não altera a participação acionária dos grupos envolvidos. A medida busca reforçar o alinhamento de longo prazo entre os investidores que compõem a base de controle da empresa.
Advent poderá comprar até 10% das ações
Outro ponto relevante do anúncio foi a formalização de um compromisso com o fundo Lotus, administrado pela Advent International.
O acordo prevê a aquisição de uma participação minoritária na Natura por meio da compra de ações no mercado secundário.
A expectativa é que a gestora adquira entre 8% e 10% do capital da companhia dentro de um prazo de até seis meses. O negócio considera um preço-alvo médio de R$ 9,75 por ação.
Se atingir pelo menos 8% de participação, a Advent poderá indicar dois representantes para o Conselho de Administração e participar dos comitês de assessoramento da empresa.
Nesse caso, o colegiado poderá ser ampliado para até dez integrantes, reunindo representantes dos acionistas controladores, membros independentes e indicados pelo novo investidor.
Para a Natura, a combinação entre a renovação da governança, a estabilidade proporcionada pelo novo acordo de acionistas e a possível entrada da Advent cria as condições para uma nova fase de desenvolvimento corporativo.
“A celebração do novo acordo reafirma o compromisso dos acionistas com o futuro da Natura e com a continuidade do projeto empresarial”, afirmou a companhia, por meio de comunicado ao mercado.
Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/pessoas-de-negocios-numa-reuniao_2840447.htm
