Litoral Sul de Pernambuco vive nova onda de valorização imobiliária impulsionada pelo turismo

O mercado imobiliário do Litoral Sul de Pernambuco atravessa um período de expansão marcado pelo aumento da procura por imóveis voltados à locação de curta temporada. O movimento tem atraído investidores de diferentes estados e países, ampliando a valorização de destinos turísticos já consolidados e abrindo espaço para o crescimento de municípios que até pouco tempo ocupavam posição secundária no setor.

O tema foi discutido durante uma edição do videocast Metro Quadrado, comandado pelo jornalista Lucas Moraes. Participaram do episódio o advogado especialista em negócios imobiliários Amadeu Mendonça, da Tizei Mendonça Advogados Associados, e o diretor da Hasa Empreendimentos, Anderson Vespasiano. Os convidados analisaram as mudanças que vêm transformando a dinâmica do mercado na região e os fatores que sustentam o interesse crescente dos investidores.

A avaliação dos especialistas é que o litoral pernambucano deixou de ser visto apenas como destino de férias. Hoje, a aquisição de imóveis está cada vez mais associada à geração de renda e à valorização patrimonial, especialmente por meio das plataformas digitais de hospedagem.

Conforme Luciano Mestrich Motta, que ocupa o cargo de CEO na Monitori, o setor atravessa um novo ciclo que demanda uma reavaliação das estratégias de crescimento.

Rentabilidade influencia novos lançamentos

A expansão das locações por temporada alterou o perfil dos empreendimentos lançados na região. Em vez de imóveis amplos destinados ao uso familiar, muitas incorporadoras passaram a priorizar unidades compactas, desenhadas para atender ao investidor que busca retorno financeiro.

Segundo Anderson Vespasiano, a definição da metragem dos apartamentos é feita levando em consideração a relação entre custo de aquisição e potencial de locação. O objetivo é oferecer um produto competitivo para quem pretende explorar o imóvel comercialmente.

“Se eu projetar um apartamento com 25 ou 26 m², eu vou vender um pouco mais caro e o cara vai alugar pelo mesmo preço do de 21 m². [O negócio] é o menor possível para eu comprar o mais barato possível para botar quatro pessoas.”

A estratégia acompanha o comportamento dos turistas que visitam praias como Porto de Galinhas. De acordo com o empresário, muitos visitantes passam a maior parte do tempo fora do apartamento, aproveitando as atrações naturais e a estrutura dos empreendimentos, o que reduz a necessidade de espaços maiores.

Esse cenário explica a predominância de flats e apartamentos compactos entre os lançamentos mais recentes da região.

Mercado atrai compradores de diferentes perfis

A procura pelos imóveis do Litoral Sul não se limita aos moradores pernambucanos. Dados apresentados durante o debate mostram que Porto de Galinhas vem recebendo investidores de diversas partes do país e também do exterior.

Segundo as informações compartilhadas no programa, cerca de 40% dos compradores são residentes do Recife. Outros 40% chegam de diferentes estados brasileiros, enquanto aproximadamente 20% são investidores estrangeiros.

Entre os países que mais se destacam estão Argentina, Portugal e Estados Unidos. O interesse internacional é impulsionado pela combinação entre potencial turístico, expectativa de valorização e oportunidades de renda por meio das locações de curta duração.

O resultado é um mercado cada vez mais diversificado, com compradores que enxergam o litoral pernambucano tanto como destino de lazer quanto como ativo de investimento.

Novas áreas entram na rota dos empreendimentos

O crescimento do setor também alcança municípios que tradicionalmente registravam menor atividade imobiliária. Um dos exemplos citados durante a conversa foi São José da Coroa Grande, localizada na divisa entre Pernambuco e Alagoas.

A cidade vem atraindo novos projetos após alterações em seu planejamento urbano. A revisão das regras municipais passou a permitir maior verticalização, criando condições para a implantação de empreendimentos que antes enfrentavam limitações regulatórias.

Além disso, a região passou a despertar interesse de compradores vindos do interior do estado. Moradores do Agreste pernambucano, especialmente de Caruaru, aparecem entre os principais responsáveis pelo aumento da demanda.

Para esse público, os imóveis representam tanto uma opção de segunda residência quanto uma alternativa para diversificar investimentos e preservar patrimônio.

Segurança jurídica ganha relevância

O avanço das locações por aplicativos trouxe novos desafios para condomínios residenciais em todo o país. Questões relacionadas ao uso dos imóveis e às regras internas passaram a ocupar espaço nas discussões do setor.

Durante o videocast, Amadeu Mendonça destacou que decisões recentes dos tribunais superiores reforçaram a autonomia dos condomínios para definir se esse tipo de atividade será permitido ou não.

“O que ficou decidido no final das contas foi que cabe a cada condomínio decidir se vai ter ou não permissão de fazer shortstay por plataformas digitais. Havendo silêncio na convenção de condomínio, a presunção é que não pode. Isso para os empreendimentos típicos de primeira residência. Nos casos de Porto de Galinhas, de litorais e tudo mais, que é segunda residência, a gente já consegue ter uma flexibilidade maior”.

Segundo o advogado, a melhor forma de evitar conflitos futuros é estabelecer regras claras desde a fase de incorporação dos empreendimentos.

“O que a gente recomenda para os incorporadores que estão fazendo novos empreendimentos é que já coloquem essa previsão de ser possível fazer a locação por curta temporada, a locação shortstay, porque o investidor que vai adquirir quer justamente ter essa flexibilidade”, concluiu Mendonça.

Perspectiva é de continuidade do crescimento

As expectativas para os próximos anos permanecem positivas. Entre os fatores apontados pelos especialistas está a ampliação da infraestrutura turística da região, incluindo a construção do aeroporto de Maragogi, na Costa dos Corais.

A nova estrutura deverá facilitar o acesso de visitantes ao litoral, fortalecer a atividade turística e ampliar o interesse de investidores. Com isso, a tendência é de continuidade da valorização imobiliária e da expansão dos empreendimentos ao longo da costa sul pernambucana.

Fonte: Jornal do Commercio
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/modelo-de-casa-com-calculadora-e-grafico-na-mesa_13720258.htm