LIG entra no radar dos investidores como alternativa para diversificar a renda fixa

A busca por investimentos de renda fixa continua elevada entre brasileiros que priorizam previsibilidade e preservação do patrimônio. Nesse cenário, a Letra Imobiliária Garantida (LIG) vem conquistando espaço como uma alternativa para quem deseja diversificar a carteira sem abrir mão da isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.

Emitida por instituições financeiras, a LIG tem como finalidade captar recursos para financiar operações ligadas ao mercado imobiliário. Em troca, o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe, no vencimento do título, o capital aplicado acrescido da rentabilidade contratada.

O rendimento pode ser prefixado ou estar vinculado a indicadores como o CDI ou a inflação, dependendo das condições oferecidas pela instituição emissora. Os títulos estão disponíveis em bancos e plataformas de investimento, com diferentes prazos e taxas, permitindo que o investidor escolha alternativas compatíveis com seus objetivos financeiros.

Embora compartilhe características com outros produtos de renda fixa, a Letra Imobiliária Garantida possui particularidades que merecem atenção antes da aplicação.

Garantia diferente da LCI exige análise mais cuidadosa

Uma das comparações mais frequentes feitas pelos investidores envolve a LIG e a Letra de Crédito Imobiliário (LCI). Os dois títulos financiam o setor imobiliário e oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, mas utilizam mecanismos distintos de proteção ao investidor.

Segundo Marilia Fontes, apresentadora do quadro “Papo de Investidor”, da Resenha do Dinheiro, compreender essa diferença é essencial para avaliar os riscos da aplicação.

“A LIG e a LCI são títulos muito parecidos. Ambas são emitidas por bancos, financiam o setor imobiliário e são isentos de Imposto de Renda para a pessoa física. A principal diferença é que a LCI conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), enquanto a LIG não possui essa garantia”.

Enquanto a LCI está protegida pelo Fundo Garantidor de Créditos dentro dos limites estabelecidos pela regulamentação, a LIG utiliza outro modelo para oferecer segurança ao investidor.

Carteira imobiliária protege o investimento

Em vez da cobertura do FGC, a Letra Imobiliária Garantida é respaldada por uma carteira de créditos imobiliários vinculada exclusivamente ao título. Esses ativos permanecem separados do patrimônio da instituição financeira emissora, funcionando como garantia adicional caso ocorram problemas envolvendo o banco.

Na prática, esse mecanismo cria uma camada própria de proteção baseada em operações do mercado imobiliário. O modelo é semelhante ao utilizado em mercados internacionais para títulos conhecidos como covered bonds, bastante empregados em diversos sistemas financeiros.

Para investidores que concentram grande parte dos recursos em aplicações protegidas pelo FGC, esse formato também pode representar uma oportunidade de diversificação das garantias presentes na carteira.

Marilia Fontes observa que o cenário recente reforça a importância dessa estratégia.

“Em um momento em que o caixa do FGC foi bastante utilizado por causa da crise envolvendo o Banco Master, também faz sentido diversificar as garantias dos investimentos e considerar ativos respaldados por imóveis reais”.

A avaliação do risco, entretanto, continua indispensável. Mesmo contando com uma carteira segregada de créditos imobiliários, a qualidade da instituição financeira emissora permanece como um dos fatores mais relevantes na decisão de investimento.

Diversificação continua sendo estratégia central

Especialistas costumam destacar que uma carteira eficiente não depende apenas da rentabilidade oferecida pelos ativos. Distribuir investimentos entre diferentes emissores, prazos e tipos de garantia reduz a concentração de riscos e fortalece a estratégia patrimonial ao longo do tempo.

Nesse contexto, a LIG pode ocupar espaço ao lado de outros títulos de renda fixa, principalmente para investidores com horizonte de médio e longo prazo que buscam previsibilidade de retorno.

Antes da aplicação, é recomendável comparar a remuneração oferecida por diferentes instituições, observar os prazos de vencimento, verificar a liquidez do título e analisar a solidez financeira do emissor. Esses fatores ajudam a identificar se o investimento está alinhado ao perfil e aos objetivos do investidor.

O tema foi debatido no quadro “Papo de Investidor”, exibido pela Resenha do Dinheiro.

Realizado com apoio da B3 e da gestora BlackRock, o programa reúne Thiago Godoy, conhecido como “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, e Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb. A proposta é apresentar conteúdos sobre economia, investimentos e educação financeira em linguagem acessível, sem abrir mão da análise dos principais assuntos do mercado.

Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/modelo-de-casa-na-palma-da-mao-em-branco_8455347.htm