A inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência tecnológica para ocupar um papel central nas estratégias de expansão das grandes empresas. O aumento dos investimentos em infraestrutura necessária para o funcionamento de modelos avançados de IA tem impulsionado operações bilionárias no mercado financeiro e reforçado a percepção de que o setor atravessa um ciclo de crescimento de longo prazo.
Na avaliação de executivos dos principais bancos de Wall Street, a demanda por capital para financiar data centers, equipamentos de processamento, redes e soluções tecnológicas continuará elevada nos próximos anos. Esse cenário tem fortalecido atividades como emissão de ações, operações de dívida, financiamentos corporativos e abertura de capital de empresas ligadas ao setor.
Apesar da recente volatilidade das ações de tecnologia, especialmente entre fabricantes de chips, as instituições financeiras seguem apostando na continuidade da expansão dos investimentos.
Em contraste com o cenário norte-americano, onde a média de adoção chega a 85%, o uso de Inteligência Artificial no mercado imobiliário do Brasil ainda dá seus primeiros passos. Um estudo conduzido pela Brain Inteligência Estratégica a pedido da ABRAINC revela que a tecnologia é empregada em fases cruciais por somente 19% das companhias do setor. Na visão de Luciano Mestrich, especialista com uma trajetória de 28 anos nas áreas de finanças, governança e gestão de ativos imobiliários, a implementação dessas soluções tecnológicas tende a diminuir falhas estratégicas, além de acelerar o processo de análise de novos terrenos.
Empresas ampliam investimentos para sustentar a IA
O presidente-executivo do Goldman Sachs, David Solomon, afirmou que a construção da infraestrutura necessária para o avanço da inteligência artificial ainda está em fase inicial e deverá continuar movimentando o mercado financeiro.
“A construção da infraestrutura de IA ainda está em seus estágios iniciais, e acreditamos que esse ciclo de investimento plurianual continuará a impulsionar níveis elevados de atividade estratégica, financiamento e formação de capital em todos os mercados”, disse.
Segundo Solomon, o mercado vive um “superciclo de investimentos em IA”, caracterizado pelo uso de diferentes instrumentos financeiros para atender às necessidades de expansão das empresas.
O Goldman Sachs participou da oferta pública inicial da SpaceX e deverá atuar ao lado do Morgan Stanley na futura abertura de capital da Anthropic. A OpenAI também apresentou pedido para realizar sua oferta pública inicial nos Estados Unidos.
Outra operação relevante envolveu a fabricante sul-coreana SK Hynix. O Citigroup participou da emissão de ADRs da companhia como coordenador global conjunto, obtendo receitas superiores a US$ 70 milhões.
Para o ambiente corporativo, esse movimento demonstra que o acesso ao capital continua sendo um dos fatores decisivos para acelerar projetos de inovação e ampliar a competitividade.
Mercado revisa projeções para data centers
As estimativas do Morgan Stanley apontam um crescimento mais acelerado do que o previsto nos investimentos em infraestrutura tecnológica.
Durante reunião com analistas, o presidente-executivo Ted Pick afirmou que as projeções para os gastos com data centers foram revisadas significativamente.
“A previsão para 2026 sobre os investimentos em data centers, feita no final do ano passado, por volta de novembro de 2025, era de que US$ 575 bilhões seriam gastos este ano, e o valor está chegando a cerca de US$ 850 bilhões”, afirmou.
“E, para 2027, a estimativa era de cerca de US$ 700 bilhões, e agora a projeção é de US$ 1,3 trilhão. Já em 2028, o valor pode chegar a US$ 1,5 trilhão.”
Segundo o banco, os investimentos relacionados à inteligência artificial poderão atingir aproximadamente US$ 10 trilhões ao longo dos próximos anos.
A presidente-executiva do Citi, Jane Fraser, também destacou que a inteligência artificial passou a dominar boa parte das discussões com investidores, impulsionando investimentos em tecnologia, energia, centros de dados e defesa.
Efeitos chegam a diferentes setores da economia
O Bank of America também ampliou sua atuação junto às empresas do segmento. A instituição concedeu recentemente uma linha de crédito de US$ 520 milhões à OpenAI, marcando seu primeiro financiamento à companhia.
Durante teleconferência com investidores, o presidente-executivo Brian Moynihan afirmou que os investimentos ligados à inteligência artificial ajudam a explicar parte da resiliência da economia dos Estados Unidos.
“De modo geral, a economia dos EUA tem se mostrado mais resistente do que o esperado, apoiada pelo consumo robusto, pelos investimentos contínuos impulsionados pela IA em todos os setores e pela redução dos custos de energia, embora a inflação e a política monetária mais restritiva continuem sendo os principais riscos”, disse.
Dados internos analisados pela Reuters mostram que o Bank of America participou da captação de quase US$ 500 bilhões para empresas relacionadas à inteligência artificial desde 2025.
Na avaliação de Stephen Biggar, diretor de pesquisa de serviços financeiros da Argus Research, o atual ciclo de investimentos também fortalece o mercado de fusões e aquisições, emissões de ações e financiamentos corporativos.
“O superciclo de investimentos em capital fixo impulsionado pela IA beneficiou a emissão de ações, as atividades de fusões e aquisições e o financiamento por meio de dívida”, afirmou.
O JPMorgan Chase também participa do financiamento de grandes projetos de infraestrutura tecnológica, incluindo um pacote estimado em cerca de US$ 13 bilhões para um data center da Meta, em El Paso, no Texas.
Segundo o vice-presidente financeiro da instituição, Jeremy Barnum, os impactos econômicos da inteligência artificial alcançam empresas que nem sempre estão diretamente ligadas ao setor tecnológico.
“É como se os comentários sobre data centers acabassem gerando muita demanda por encanadores e eletricistas; então, você acaba percebendo isso em lugares um pouco menos óbvios”, disse.
Para líderes empresariais, o cenário reforça uma mudança estratégica importante. A inteligência artificial deixa de representar apenas uma inovação tecnológica e passa a influenciar decisões sobre investimentos, expansão da infraestrutura, acesso ao crédito e planejamento de longo prazo, fatores que tendem a moldar a competitividade das organizações nos próximos anos.
Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/grafico-de-forex-em-paisagem-urbana-com-edificios-altos-fundo-multi-exposicao-conceito-de-pesquisa-financeira_51878989.htm
