Fundação Schwab apresenta os 21 Inovadores Sociais Globais de 2026

A Fundação Schwab para o Empreendedorismo Social anunciou a seleção dos 21 líderes globais reconhecidos como Inovadores Sociais do Ano de 2026. Os nomes representam 17 organizações e estão distribuídos em quatro categorias: Empreendedores Sociais, Inovadores Sociais Corporativos, Inovadores Sociais no Setor Público e Inovadores Sociais Coletivos. A iniciativa destaca projetos que apresentam soluções práticas para desafios sociais e ambientais em diferentes regiões do mundo.

Entre os oito Empreendedores Sociais escolhidos está o brasileiro Mario Haberfeld, fundador da organização Onçafari. Ele também foi um dos vencedores do Prêmio Empreendedor Social 2025, concedido no Brasil pela Folha em parceria com a própria Fundação Schwab. A Onçafari é reconhecida por ações de conservação ambiental aliadas ao desenvolvimento socioeconômico local.

Haberfeld aparece ao lado de lideranças internacionais que atuam em contextos variados, mas com foco comum na inovação social. Entre elas estão o etíope Kibret Abebe, fundador da Tebita Ambulance, serviço pioneiro de atendimento médico de emergência em seu país, e a romena Ioana Bauer Sǎndescu, da eLiberare, organização dedicada à prevenção do tráfico de pessoas e da exploração sexual.

Inovação social no setor corporativo e público

A lista de 2026 também inclui três Inovadores Sociais Corporativos. O grupo é formado por líderes que atuam em empresas multinacionais ou regionais e que desenvolvem produtos, serviços ou modelos de negócio voltados ao enfrentamento de desafios sociais e ambientais. Um dos nomes selecionados é o de François-Ghislain Morillion, cofundador da marca Veja, anteriormente conhecida como Vert.

Com sede em Paris e produção no Brasil, a Veja tornou-se referência internacional por seus tênis fabricados com materiais considerados mais sustentáveis, como algodão orgânico, borracha amazônica e plástico reciclado. A empresa integra debates globais sobre consumo responsável e cadeias produtivas mais transparentes.

Além do setor corporativo, a Fundação Schwab reconheceu três Inovadores Sociais no Setor Público. Eles se destacam por meio da formulação de políticas, regulamentações ou iniciativas públicas com impacto social relevante. Outros três selecionados atuam como Inovadores Sociais Coletivos, categoria que reúne líderes responsáveis por articular organizações e parcerias para lidar com problemas complexos por meio da colaboração.

Participação em Davos e rede global

Os Inovadores Sociais de 2026 participarão do Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, entre 19 e 23 de janeiro. A partir desse momento, iniciam uma jornada de três anos dentro da comunidade da Fundação Schwab. Após esse período, tornam-se membros vitalícios, com acesso a redes globais, projetos colaborativos e programas de capacitação.

Com a nova turma, os 21 líderes passam a integrar uma comunidade formada ao longo de 27 anos. Segundo a fundação, esse grupo já impactou a vida de mais de 950 milhões de pessoas em 190 países, por meio de iniciativas que vão da saúde e educação à sustentabilidade ambiental e inclusão econômica.

“Os premiados deste ano destacam a extraordinária resiliência e engenhosidade que estão no cerne da nossa comunidade”, afirma Hilde Schwab, cofundadora e presidente da Fundação Schwab. “Diante das disrupção e incerteza sem precedentes, esses líderes não apenas adaptaram seus modelos, mas também aprofundaram seu compromisso com um impacto duradouro. Suas conquistas demonstram que a inovação orientada por um propósito pode transformar as sociedades e construir um futuro mais inclusivo e sustentável.”

Dados do relatório e compromissos globais

O relatório 2026 da Fundação Schwab, intitulado Inovação Social em Transição, analisa o cenário do setor em meio às incertezas macroeconômicas e geopolíticas. De acordo com o estudo, os inovadores sociais mobilizaram coletivamente US$ 970 milhões em recursos financeiros no último ano. Apesar disso, 82% relataram impacto negativo da redução de fundos, o que provocou atrasos na implementação de programas e interrupções em planos de expansão.

Mais de 80% dos entrevistados afirmaram que o apoio da Fundação Schwab contribuiu para o avanço de seus projetos e para o fortalecimento do pensamento sistêmico. Outros 70% apontaram a fundação como facilitadora de novas parcerias estratégicas.

Um dos destaques é o Rise Ahead Pledge, compromisso coletivo de empresas líderes para impulsionar a economia social até 2030. Com a adesão recente de CJ Group, Lenovo, Northwell Health e PROSUS, o número de signatários chegou a 28. Vinte e cinco dessas organizações divulgaram investimentos em inovação social em 2024, totalizando US$ 525 milhões desde o lançamento do compromisso.

Entre os participantes, EY, Microsoft, MovingWorlds e SAP colaboram no programa “Scaling AI for Good”, voltado ao apoio de inovadores sociais que utilizam inteligência artificial para gerar impacto positivo.

“A próxima década deve impulsionar decisivamente os modelos de inovação social das margens para o centro das atenções, transformando não apenas os mercados, mas também as mentalidades”, afirma François Bonnici, diretor da Fundação Schwab e membro do Comitê Executivo do Fórum Econômico Mundial. “Ao incorporar práticas de impacto aos sistemas econômicos tradicionais e amplificar as vozes daqueles que impulsionam a mudança, estamos ajudando a construir as bases de uma economia global mais inclusiva e sustentável.”

Fonte: Folha de São Paulo
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