Empresários avaliam que turismo em Fernando de Noronha ficou abaixo do esperado no início de 2026

O primeiro semestre de 2026 terminou com 64.970 turistas em Fernando de Noronha, conforme os dados de visitação do Parque Nacional Marinho. O resultado manteve o arquipélago dentro do limite previsto pelo acordo de gestão compartilhada, que permite até 66 mil visitantes a cada seis meses e estabelece um teto anual de 132 mil pessoas.

Apesar do volume registrado, empresários ligados ao turismo afirmam que o movimento não correspondeu às expectativas. A avaliação é de que a procura perdeu força durante a baixa temporada, afetando diferentes segmentos da economia local, como pousadas, locadoras de veículos e empresas de receptivo.

Na visão do setor, o desempenho do semestre foi influenciado por fatores como o calendário da Copa do Mundo e das eleições. Também são apontados problemas relacionados ao planejamento do destino, à divulgação turística e à infraestrutura da ilha.

Fluxo de visitantes diminuiu entre março e junho

Os dados oficiais mostram que janeiro concentrou o maior número de turistas, com 13.870 visitantes. Em fevereiro, o total foi de 11.781, enquanto março registrou 11.136 pessoas.

Nos meses seguintes, houve queda gradual na visitação. Abril fechou com 10.331 turistas, maio contabilizou 9.369 e junho encerrou o semestre com 8.483 visitantes.

Embora o limite previsto para o período não tenha sido atingido, representantes do setor afirmam que a redução do fluxo foi suficiente para impactar o desempenho de diversas empresas que dependem diretamente da atividade turística.

O presidente do Conselho de Turismo de Fernando de Noronha e da Associação dos Donos de Pousadas, Ailton Flor, afirmou que a percepção negativa ficou concentrada principalmente na baixa temporada.

“A nossa avaliação é que o primeiro semestre ficou abaixo das expectativas. Isso foi mais evidente entre março e junho. Entendemos que este é um ano atípico, influenciado pelo calendário da Copa do Mundo e das eleições”, disse.

Mercado de locação também registrou retração

Entre os segmentos que sentiram os efeitos da menor procura está o de aluguel de veículos.

O presidente da Associação de Locadoras de Veículos, Nino Alexandre Lehnemann, afirmou que fevereiro, normalmente considerado um mês favorável para o turismo em Fernando de Noronha, apresentou desempenho inferior ao esperado.

“A procura em fevereiro foi muito fraca, que era um mês positivo. Tradicionalmente, o movimento se mantém aquecido até a Páscoa, mas neste ano isso não aconteceu. Muitas pessoas desistiram de viajar para Fernando de Noronha”, afirmou.

Segundo Lehnemann, a repercussão de problemas de infraestrutura também contribuiu para prejudicar a imagem do arquipélago.

“Tivemos muitas notícias negativas. A infraestrutura é precária, há ruas esburacadas e isso gerou insatisfação entre os moradores”, disse.

O empresário informou que a empresa da qual é proprietário há 26 anos registrou, em maio, o menor índice de locação de sua história. Conforme relatou, a ocupação dos veículos ficou em 15%, quando a expectativa era alcançar cerca de 30%.

Oferta maior ampliou a concorrência

Para empresários do setor, outro fator que explica a percepção de queda no movimento é o crescimento da quantidade de empreendimentos turísticos na ilha.

Haryrton Almeida, proprietário de uma das principais agências de receptivo de Fernando de Noronha, afirmou que a expansão da oferta de pousadas, veículos e outros serviços mudou a distribuição dos visitantes entre as empresas.

“Nos últimos anos, aumentou muito a oferta de pousadas, veículos e outros serviços. Como o número de turistas é limitado, a demanda acaba sendo dividida entre mais empresas. Recebemos relatos de baixa ocupação, principalmente nas pousadas mais simples. Na prática, o número de visitantes é o mesmo, mas está distribuído entre mais estabelecimentos”, afirmou.

Segundo ele, o aumento da concorrência faz com que parte dos empreendimentos registre menor ocupação, mesmo quando o número total de visitantes permanece próximo do limite permitido.

ICMBio diz que mantém articulação para cumprir acordo

O controle da quantidade de visitantes em Fernando de Noronha é realizado por meio do acordo de gestão compartilhada administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelo Governo de Pernambuco.

Em nota, o instituto informou que trabalha para garantir que o número de turistas permaneça dentro dos limites definidos no acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ICMBio acrescentou que mantém diálogo com o governo estadual e com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para assegurar o cumprimento do teto de visitantes.

A reportagem também solicitou posicionamento da Administração de Fernando de Noronha sobre as críticas relacionadas à baixa temporada, à infraestrutura e ao planejamento do turismo. Até a última atualização da matéria, não houve resposta.

Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/tiro-aereo-do-console-tropical_1007399.htm