O financiamento de veículos no país cresceu 20,4% em 2024, com mais de 7 milhões de unidades financiadas, de acordo com dados divulgados pela B3. Apesar do avanço no volume total, o custo do crédito permaneceu elevado ao longo do período, pressionando parcelas e restringindo o acesso ao financiamento, especialmente entre consumidores de menor renda.
Para Rodrigo Borges Torrealba, CEO da MotoX Comércio de Motos Ltda, o cenário financeiro atual impõe revisão de estratégias tanto para consumidores quanto para o mercado. Formado em Administração, com MBAs em Administração de Negócios Marítimos e Administração Financeira, o executivo acumulou experiência em comércio internacional antes de liderar a empresa no segmento de duas rodas.
Crédito mais seletivo e impacto na demanda
Para o executivo, o aumento nas taxas altera diretamente o comportamento do comprador. “O cliente analisa mais o prazo, compara instituições e, muitas vezes, adia a aquisição. Isso desacelera o giro do mercado e exige planejamento maior das empresas”, afirma.
Ainda, segundo Torrealba, o financiamento segue sendo a principal porta de entrada para aquisição de motocicletas no Brasil. Segundo ele, quando o custo do crédito sobe, o impacto é imediato no fluxo de vendas. “A moto é um bem de mobilidade e trabalho para muitos brasileiros. Quando o crédito encarece, a decisão deixa de ser apenas comercial e passa a ser financeira”, diz.
Juros e risco no crédito ao consumidor
Relatório do Banco Central do Brasil aponta aumento no risco das operações de crédito às famílias após o ciclo de aperto monetário. Na avaliação de Rodrigo Torrealba, esse movimento afeta diretamente o financiamento de motocicletas. “As instituições passaram a adotar critérios mais rigorosos de análise de crédito. Isso reduz a base de clientes elegíveis e prolonga o tempo de aprovação das operações”, afirma.
Ele acrescenta que o custo de captação mais alto para os bancos é repassado ao consumidor final. “A taxa final incorpora o risco percebido e o custo do dinheiro. O resultado é uma parcela mais alta, o que limita o acesso ao financiamento”, diz.
Estratégias do setor diante do cenário
Com a demanda mais sensível ao custo do crédito, empresas do setor têm adotado ajustes operacionais e comerciais. Segundo Rodrigo, uma das respostas tem sido o fortalecimento de alternativas de pagamento e revisão de portfólio.
“Observamos aumento na procura por modelos de menor valor e maior eficiência de consumo. Também há maior interesse por condições de entrada mais altas para reduzir o valor financiado”, afirma.
Ele destaca ainda mudanças na gestão de estoques e no planejamento de compras. “As empresas precisam alinhar produção e oferta à realidade do crédito disponível. O planejamento financeiro passa a ter papel central na estratégia comercial”, diz.
Financiamento segue como motor do mercado
Apesar das restrições, os dados de financiamento indicam que o crédito permanece como principal mecanismo de aquisição de veículos no país. Informações divulgadas pela B3 mostram que a maior parte das compras de veículos leves e motocicletas continua vinculada a operações financiadas.
Para Rodrigo Borges Torrealba, o desafio do setor é adaptar-se ao ambiente de juros elevados sem retração estrutural da demanda. “A mobilidade individual continua sendo uma necessidade econômica. O mercado não desaparece, mas passa a operar com maior seletividade e planejamento”, afirma.
O executivo avalia que a evolução do crédito dependerá do comportamento da política monetária e da percepção de risco das instituições financeiras. “Qualquer mudança no custo do dinheiro tem efeito direto sobre o financiamento. O setor acompanha esses indicadores com atenção permanente”, diz.
Perspectivas para consumidores e empresas
A combinação de crédito mais caro e critérios mais rigorosos tende a manter o mercado em ritmo moderado no curto prazo, defende o especialista. Ele afirma que consumidores devem priorizar planejamento financeiro antes da aquisição.
“É um momento em que a decisão de compra exige análise detalhada de taxa, prazo e comprometimento de renda. O financiamento continua acessível, mas com condições mais exigentes”, afirma.
Para as empresas, o cenário demanda ajustes contínuos. “A sustentabilidade do crescimento passa por eficiência operacional e gestão financeira rigorosa. O ambiente de juros elevados redefine a dinâmica do mercado, e as empresas precisam responder com estratégia”, conclui.
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