A combinação entre gestão coletiva, investimento em qualidade e construção de marca mudou o posicionamento do café robusta produzido em Rondônia. Antes direcionado principalmente à indústria, o grão passou a ocupar espaço no segmento de cafés especiais, conquistando prêmios e alcançando mercados internacionais. Essa transformação foi impulsionada pela atuação da Cooperativa dos Agricultores Familiares da Amazônia (Lacoop Amazônia), criada para resolver um dos principais desafios enfrentados pelos produtores da região: a comercialização de microlotes.
Fundada em 2017, a cooperativa nasceu da iniciativa de agricultores familiares que identificaram o potencial dos cafés produzidos em Rondônia, mas encontravam dificuldades para acessar compradores interessados em lotes especiais. A organização permitiu estruturar uma estratégia comercial capaz de conectar os produtores a novos mercados e aumentar a competitividade do robusta amazônico.
“A dificuldade que se tinha em comercializar microlotes de café fez com que reunissem um grupo de produtores e começasse a ideia de se criar uma organização que pudesse fazer isso por eles. Daí nasceu a Lacoop”, explica o diretor-presidente da cooperativa, Nildo Pereira.
A partir desse modelo de atuação, os cooperados passaram a adotar uma visão mais ampla sobre o negócio. Além da produção, ganharam importância fatores como padronização, diferenciação, sustentabilidade e agregação de valor, elementos que contribuíram para reposicionar o café de Rondônia em um mercado cada vez mais exigente.
Gestão da qualidade impulsiona novos mercados
Segundo Nildo Pereira, as características naturais da Amazônia oferecem condições favoráveis para a produção de um café com identidade própria. O clima, a umidade e a nebulosidade influenciam diretamente o desenvolvimento dos grãos, criando um perfil sensorial que diferencia o robusta amazônico dentro do segmento de cafés especiais.
“Os cafés especiais na Amazônia e em Rondônia surgiram justamente pelo diferencial que é produzir na região amazônica, pelas características que esse produto tem em função de tudo que cerca a Amazônia, clima, nebulosidade, umidade. Tudo isso faz com que o café da Amazônia, o café de Rondônia e, em especial, o café robusto amazônico, o Matas de Rondônia, tenha características únicas”, disse.
A cooperativa também passou a orientar os produtores sobre práticas de manejo voltadas à qualidade e ao uso racional de agroquímicos. A estratégia buscou elevar o padrão do produto sem perder de vista a sustentabilidade e a eficiência produtiva, fatores cada vez mais valorizados pelos consumidores e compradores especializados.
“A forma de produzir o que mudou foi, de fato, alguns cuidados culturais, alguns tratos culturais que vêm de encontro com a qualidade, o zelo pelo uso racional dos agroquímicos de forma que não viesse a interferir na qualidade do café”, explicou.
Os resultados apareceram nos concursos de cafés especiais realizados em Rondônia. De acordo com o diretor-presidente da Lacoop Amazônia, a maior parte dos cafés premiados no estado está ligada diretamente aos produtores cooperados.
“Hoje 70% de todos os cafés premiados em Rondônia, de uma certa forma, são de pessoas diretamente envolvidas na Lacoop”, informou.
O reconhecimento abriu espaço para novos negócios e fortaleceu a presença internacional da cooperativa. Os cafés produzidos pelos associados chegaram a mercados da Ásia, como Coreia do Sul e China, além de países europeus, entre eles a Alemanha. Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permanece como o principal destino da produção.
“Os cafés da cooperativa já chegaram a mercados asiáticos, principalmente Coréia, China, além de países da Europa, Alemanha”, disse.
Outro movimento importante foi a mudança na estratégia de comercialização. Em vez de vender apenas o café em grão, parte dos produtores passou a desenvolver marcas próprias e assumir todas as etapas do beneficiamento, incluindo torra, moagem e embalagem. A iniciativa ampliou a agregação de valor ao produto e fortaleceu a presença dos cafés rondonienses em cafeterias de diferentes regiões do país.
“Grande parte dos produtores premiados criaram as suas próprias marcas, estão fazendo o ciclo completo, torrando, moendo, empacotando e colocando nas grandes cafeterias Brasil afora”, informou.
Para Nildo Pereira, a criação de uma identidade para o robusta amazônico foi determinante para consolidar esse novo posicionamento de mercado. Segundo ele, a valorização das características próprias do café produzido em Rondônia permitiu que o produto fosse reconhecido não apenas pelo volume de produção, mas também pela qualidade e pelo diferencial competitivo.
“Caracterizar o café produzido aqui como único, criar uma característica para ele, foi um diferencial, foi o que de fato fez com que hoje estivesse no nível que nós estamos”, explicou.
Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/captura-aproximada-da-mao-masculina-colhendo-graos-de-cafe-vermelho-cereja-na-arvore_28741616.htm
