A Amazon iniciou nesta quinta-feira (18) a liberação da Alexa+ para usuários brasileiros. A novidade representa a maior evolução da assistente virtual desde sua chegada ao país e incorpora inteligência artificial generativa para ampliar a capacidade de diálogo e execução de tarefas.
Com a atualização, a empresa busca transformar a Alexa em uma ferramenta mais conversacional, capaz de compreender pedidos de maneira menos mecânica e responder de forma mais contextualizada. O lançamento ocorre em um momento de forte expansão do mercado de IA, impulsionado por plataformas desenvolvidas por empresas como Google, OpenAI, Anthropic e Apple.
A Alexa+ foi apresentada originalmente nos Estados Unidos no início do ano passado e agora começa a ser disponibilizada no Brasil por meio de um programa de acesso antecipado. A Amazon informou que a distribuição será ampliada gradualmente ao longo dos próximos meses.
Os assinantes do Amazon Prime terão acesso à nova experiência sem cobrança adicional. Para usuários que desejarem contratar o serviço separadamente, o valor será de R$ 99,90 por mês. Atualmente, a assinatura Prime custa R$ 19,90 mensais.
Segundo a companhia, a chegada da inteligência artificial generativa aproxima a assistente do conceito idealizado pela empresa quando a Alexa foi criada.
“Graças à IA generativa, podemos chegar mais perto da visão original da Alexa”, disse Michele Butti, vice-presidente da divisão internacional de Alexa na Amazon.
Interações deixam de depender de comandos exatos
Uma das principais mudanças da Alexa+ está na forma como ela interpreta a linguagem humana. Diferentemente das versões anteriores, que exigiam comandos mais específicos para realizar determinadas ações, a nova assistente passa a compreender melhor o contexto da conversa.
Isso permite que o usuário faça correções, acrescente informações ou altere o assunto durante a interação sem precisar repetir a palavra de ativação ou reformular completamente o pedido.
A tecnologia utiliza grandes modelos de linguagem, conhecidos como LLMs, os mesmos princípios empregados em ferramentas de inteligência artificial conversacional que ganharam popularidade nos últimos anos.
De acordo com a Amazon, a Alexa+ opera com uma infraestrutura formada por mais de 70 modelos de IA. A plataforma combina tecnologias desenvolvidas pela própria empresa com recursos disponíveis na AWS (Amazon Web Services), selecionando automaticamente o modelo mais adequado para cada solicitação.
Durante apresentações realizadas para jornalistas, a assistente executou tarefas como controle simultâneo de dispositivos inteligentes, criação de roteiros de viagem, recomendações de filmes, elaboração de emails e orientação para preparo de receitas.
A empresa reconhece que algumas respostas podem exigir mais tempo de processamento do que ocorria na versão tradicional da Alexa. O comportamento é semelhante ao observado em outros sistemas baseados em inteligência artificial generativa.
Personalização e recursos visuais
Além de compreender melhor as conversas, a Alexa+ poderá armazenar determinadas informações fornecidas pelos usuários para personalizar futuras interações.
Preferências pessoais, hábitos de consumo e restrições alimentares estão entre os exemplos citados pela companhia. Esses dados poderão ser utilizados para oferecer respostas mais alinhadas ao perfil de cada pessoa.
Os dispositivos Echo equipados com câmera também receberão funcionalidades adicionais. Nesses aparelhos, a assistente será capaz de analisar imagens e fornecer descrições do que está sendo visualizado.
A Amazon aposta nesse conjunto de recursos para fortalecer a presença da Alexa dentro das residências e ampliar o uso da plataforma para além de comandos básicos relacionados a música, alarmes e automação doméstica.
Integração com Uber chega ao mercado brasileiro
Entre as novidades anunciadas para o Brasil está a integração da Alexa+ com serviços externos. Um dos primeiros parceiros confirmados é a Uber.
A funcionalidade permitirá solicitar corridas por meio de comandos de voz. Antes de concluir a reserva, a assistente apresentará informações sobre o trajeto, a categoria disponível e o valor estimado da viagem.
Segundo a empresa, esse tipo de integração faz parte da estratégia de criar uma experiência de “IA ambiente”, conceito que busca incorporar a inteligência artificial ao cotidiano de forma contínua e menos dependente de aplicativos ou interfaces específicas.
A Alexa+ estará disponível nos dispositivos Echo, em smartphones e também em navegadores compatíveis.
Dados divulgados pela companhia mostram que mais de 500 milhões de dispositivos Alexa já foram vendidos no mundo. No Brasil, a assistente está presente desde 2019 e registrou mais de 60 bilhões de interações nos últimos três anos.
Para adaptar a tecnologia ao país, a Amazon afirma ter realizado treinamento específico para compreender sotaques, regionalismos e diferentes formas de expressão do português brasileiro.
“Alexa não poderia ser apenas traduzida, ela precisava ser brasileira”, disse Talita Bruzzi Taliberti, country manager de Alexa no Brasil.
A empresa informou ainda que cerca de 98% dos dispositivos Echo atualmente em uso no país serão compatíveis com a Alexa+, sem necessidade de troca de equipamento. Os interessados em participar da fase inicial podem solicitar acesso dizendo “Alexa, quero Alexa+” ou realizando cadastro pelos canais da Amazon.
Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/apresentador-a-falar-no-forum-de-ia-que-reune-gerentes-de-startups-tecnologicas_381844814.htm
